A imagem de Lola revolta-se

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O melhor amigo de Lola não se chamava Pedro, nem Albano, nem Clemente. Era, ao mesmo tempo, mudo e falador, simpático e rude. Chamava-se… espelho! Porque Lola passava o melhor do seu tempo a contemplar-se. Não que ela se achasse bonita, não. Se lhe perguntassem, ela diria que não se achava nem bonita nem feia, mas gostava de se olhar, de se examinar. Por vezes, sorria-se a si própria. Outras vezes, franzia o nariz e fazia tais caretas que parecia uma feiticeira cheia de verrugas. Continuar a ler

De quem é este chapéu?

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De quem é este chapéu?

Era Verão outra vez.

Milly e Molly tinha terminado o piquenique quando um grande chapéu de palha castanho apareceu a voar pela praia.

— De quem será? — perguntou Milly.

— Anda, vamos descobrir — sugeriu Molly.

Não foi preciso perguntar aos dois meninos que cavavam buracos na areia. Viam-se as pontas dos seus chapéus.

O chapéu de palha não era deles.

Não foi preciso perguntar ao pescador, que estava sentado numa rocha. Ele tinha o boné bem enfiado na cabeça. O chapéu de palha também não era dele.

Não foi preciso perguntar à senhora que estava a encher o cesto com algas. Ela tinha a mão em cima do seu chapéu pois o vento queria levá-lo. O chapéu de palha também não era dela.

Não foi preciso perguntar às meninas que construíam castelos na areia. Elas tinham os chapéus presos com uma fita debaixo do queixo. O chapéu de palha também não era delas.

Não foi preciso perguntar às pessoas que apanhavam sol e mexiam os pés. Estavam debaixo de um grande chapéu-de-sol e não precisavam de proteger a cabeça. O chapéu de palha também não podia ser delas.

Não foi preciso perguntar ao senhor de bengala. Ele tinha o cabelo revolto a sair debaixo do seu gorro. Não era dele.

Não foi preciso perguntar aos surfistas. Eles tinham creme no nariz e os cabelos ao vento. De certeza que não era deles.

E dos quatro mergulhadores?

Na areia estavam quatro pares de botas mas apenas três chapéus!

Será que o chapéu de palha era de um deles?

Milly e Molly colocaram o grande chapéu de palha por baixo do quarto par de botas e correram para junto do seu cesto de piquenique.

No caminho para casa, passaram por várias pessoas, umas com chapéu, outras sem chapéu.

— Espero que tenhamos encontrado o dono certo — disse Milly.

Gill Pittar
Milly Molly – Tomo II
Rio de Mouro, Everest Editora, 2006

Frente ao televisor

Frente ao televisor

Manuel, um amigo de Milly e Molly, era viciado em televisão. O Manuel via televisão na sala.

Via televisão na cama.

Via televisão antes da escola, depois da escola, em dias de chuva e, pior ainda, em dias de sol.

Até que, num dia de sol, quando Milly e Molly estavam lá em casa, a mãe gritou:

— Manuel, vai lá para fora fazer exercício!

— Exercício? Como? — disse Manuel, aborrecido.

— Como quiseres. Não quero tornar a ver-te até ao anoitecer.

E dito isto, a mãe do Manuel mandou os três amigos para fora de casa e fechou a porta.

— Já sei o que vamos fazer — disse Milly, pensativa.

— O quê? — resmungou Manuel.

— Vamos construir uma casa na árvore.

— Como? — perguntou o Manuel.

— Eu sei como — disse Molly.

— Imagino — zombou Manuel. — Quero ver!

Milly encontrou a árvore certa. Molly ajudou Manuel a encontrar todas as coisas de que precisavam.

Pegaram em tábuas, martelo, pregos e um pedaço velho de lona.

Milly, Molly e Manuel treparam, levantaram e trabalharam até ser quase de noite.

— Ora vejam só… — disse a mãe de Manuel. — Mas que bela casa na árvore!

Manuel foi direitinho para a cama. Estava demasiado cansado para ver televisão.

Levantou-se e, antes de ir para a escola, voltou à casa da árvore. Não lhe interessava ver televisão.

Ia para a sua casa na árvore depois da escola, nos dias de chuva e nos dias de sol. Não tinha tempo para ver televisão.

Até que, um dia depois da escola, ouviu barulho. Da sua casa na árvore, conseguia ver os rapazes a jogarem à bola no parque.

— Quero ir jogar futebol — disse ele.

— Ora vejam só… — disse a mãe.

E ajudou-o a inscrever-se na equipa.

Quando o Manuel não estava na casa da árvore, estava a jogar futebol. Esquecera a televisão.

Da casa da árvore, Milly e Molly viam Manuel a jogar futebol no parque. Quando ele ganhou o prémio do Melhor Jogador do Torneio, pareceu-lhes ouvir a mãe do Manuel dizer: “Ora vejam só…”

— Quando crescer, vou ser futebolista — disse Manuel.

— E vais aparecer na televisão? — perguntaram Milly e Molly.

— Claro que sim — disse Manuel. — Não vou ver televisão, mas aparecer na televisão.

— Ora vejam só… — disse a mãe do Manuel. — É espantoso o que o exercício físico pode fazer.

Gill Pittar
Milly Molly – Tomo I
Rio de Mouro, Everest Editora, 2006

O Henrique é o Henrique

O Henrique é o Henrique

O que se passa com o Henrique?

O Henrique sabe como se sente e é dono dos seus sentimentos.

Ele diz “não” quando quer e “sim” quando lhe apetece.

O Henrique é amável com as raparigas e simpático com os rapazes.

Não fica corado, nem ri à toa.

Não é intrometido, nem tímido.

Sabe do que gosta e do que não gosta.

Nem sempre precisa de um amigo para brincar, nem de companhia para conversar.

Ri-se das coisas engraçadas e chora com coisas tristes.

Lê muito bem diante da turma e não se importa quando se engana.

O Henrique tem mais dificuldades a Matemática.

Joga ao ‘mata’ com uma mão.

Não se importa que se riam dele, que o arreliem ou o gozem.

O Henrique abre a porta e deixa passar primeiro os mais velhos.

Lembra-se de dizer ‘se faz favor’ e nunca se esquece de dizer ‘obrigado’.

O Henrique sabe reconhecer os seus erros quando faz alguma coisa mal.

O Henrique usa o cabelo direito, quando todos usam espetado.

Quando se usam calças apertadas, o Henrique veste calças largas. Quando as camisas azuis estão na moda, o Henrique usa encarnadas.

E que é o amigo mais disputado da escola?

O Henrique!

O Henrique é o Henrique e pronto!

Gill Pittar
Milly Molly – Tomo I
Rio de Mouro, Everest Editora, 2006