Os poderes da fada Miriam

Os poderes da fada Miriam

Certa manhã, o rei das fadas sentiu-se muito mal porque se tinha dado conta de que as pessoas andavam muito tristes e de que o mundo estava feio. Então, para resolver isso, convocou as fadas e confiou-lhes uma missão: voltar a dar às pessoas e ao mundo a alegria, a claridade, a beleza e o bem-estar. A tarefa era gigantesca e foi distribuída por todas as fadas. Cada uma delas dispôs de dez dias para realizar uma parte da tarefa. A Míriam, uma jovem fada, ficou encarregada de transformar uma velha cabana de madeira num magnífico palácio.

A Miriam, que era jovem e tinha acabado de receber o seu diploma de fada, estava cheia de vontade de cumprir muito bem a sua missão e apressou-se a chegar ao lugar que lhe fora confiado.

Quando lá chegou, a Miriam encontrou um lugar triste e desolado. Só um pequeno ribeiro atravessava o vale. E no meio do vale, no cimo de uma montanha agreste, estava a cabana. Nem um só animal, nem uma flor. Só se viam pedras. A Miriam quis começar logo o seu trabalho.

Mas era uma fada inexperiente e tinha-se esquecido da fórmula mágica.

“Como reagirá o rei das fadas se eu não cumprir a minha missão?”, pensava ela.

Então, fez um esforço suplementar, reflectiu… pensou… concentrou-se… e disse:

A cra zim bom bom! Não! Não é esta!

A cra zim bom bom — voltou ela a tentar. — Não! Estou enganada outra vez.

A cra zim bom, cra zim bom, cra zim bom bom, bom! — tentou novamente.

— Ah! Encontrei. É esta a fórmula mágica, estou certa disso.

Cheia de coragem, a fada Míriam pegou em pedras grandes, colocou-as num carro de mão e levou-as até ao cimo da montanha, onde estava a cabana. Sem parar, do nascer ao pôr do Sol, dia após dia, a pequena fada transportou toneladas de pedras para o cimo da montanha.

Todas as vezes que chegava ao cimo da montanha com uma carga de pedras, a Míriam pronunciava a fórmula mágica:

A cra zim bom, cra zim bom, cra zim bom bom, bom!

— Que este pardieiro se transforme num palácio!

Pouco a pouco, a cabana foi-se transformando.

Uma tarde, cansada, a jovem fada perdeu as forças, sentiu os braços fracos e deixou que o carro de mão se virasse. As pedras rolaram até ao fundo da montanha. A Míriam, esgotada, adormeceu.

Logo que acordou, um novo espectáculo apareceu diante dos seus olhos. Ao rolarem pela montanha abaixo, as pedras tinham-se juntado numa parte do ribeiro e formado uma grande barragem que deu origem a um imenso lago que fervilhava de peixes, rãs, libelinhas e outros animais.

Durante o seu sono, as flores cresceram e transformaram com as suas cores vivas o conjunto de pedras que era o vale num maravilhoso tapete multicolor.

O décimo dia chegou e a Míriam tinha de regressar para junto do rei das fadas.

— Míriam — disse-lhe o rei —, fizeste um trabalho muito bom. Que fórmula mágica utilizaste para realizar a tua tarefa?

A cra zim bom, cra zim bom, cra zim bom bom, bom! — respondeu timidamente a fada.

A cra zim bom, cra zim bom, cra zim bom bom, bom?! — admirou-se o rei. — Mas essa fórmula não existe! Não está inscrita no livro das fórmulas mágicas. Foi então só com a tua força de vontade que conseguiste a transformação maravilhosa do vale. Felicito-te!

Diante de todas as fadas reunidas, o rei explicou que a Míriam, sem ter utilizado os seus poderes, mas somente com a sua força de vontade, tinha conseguido cumprir a sua tarefa. E o rei disse ainda que ela era um exemplo para todas as outras fadas.

Com o coração cheio de alegria, a pequena fada Míriam compreendeu que podia fazer coisas belas sem ter de recorrer à magia. Depois juntou-se às outras fadas, pronta para outra missão.

Mireille Saver

Histórias para sonhar
Porto, Civilização Editora, 2004

As fadas dos sonhos

As fadas dos sonhos

Coelhinho e Ratinho estão sentados no jardim de Coelhinho, debaixo de uma macieira.

— Ouvi dizer que as fadas moram nos fundos dos jardins — disse Ratinho.

E chamou em voz alta:

— Fadas, onde estais?

— O que é que as fadas farão durante o dia? — perguntou-se o Ratinho.

— Acho que ajudam as flores dos jardins a crescer e tomam conta das abelhas e dos besouros — respondeu o Coelhinho.

— Fadas, onde estais?

Puseram-se à procura mas não encontraram nem uma.

— Se calhar estão com fome — sugeriu o Ratinho — Vamos apanhar maçãs para elas.

Então os dois amigos juntaram um monte de maçãs brilhantes e gritaram:

— Fadas, vinde buscar as vossas maçãs!

Mas não apareceu ninguém.

— Se calhar estão escondidas no cimo das árvores — disse Coelhinho. Então, os dois amigos treparam à macieira e começaram à procura. Encontraram alguns pássaros, algumas borboletas e um escaravelho, mas nenhuma fada. Ratinho e Coelhinho adormeceram e sonharam com fadas a cheirar flores e a polir maçãs.

Quando acordaram, o Coelhinho tinha encontrado uma resposta à sua pergunta.

— Acho que as fadas vivem nos sonhos — disse.

— Tens razão — concordou o Ratinho e, sorrindo, os dois voltaram a adormecer.

Moira Butterfield
The Dream Fairies
New York, Barron’s Educational Series, 2002
tradução e adaptação