A borboleta azul

foto borboletas flores

Taina, a menina índia, morava no centro da floresta tropical.
Todos os dias vivia imensas aventuras juntamente com os seus irmãos e irmãs. Brincavam com arcos e flechas, balançavam-se nas lianas das árvores e divertiam-se como ninguém.
Mas o que preferiam era o tempo que passavam na companhia do Avô.

Todas as manhãs o Avô acordava a pequena Taina e, sentados à volta do fogo, bebiam chá e saboreavam os primeiros raios de sol nas minúsculas gotas de orvalho deixadas pela noite e que faziam brilhar o novo dia como um diamante.
Sempre que Taina partia com o Avô para a floresta, a menina ficava maravilhada com as histórias que ele lhe contava…

Um dia, Schuscho, o gato de Taina, morreu.
Ela chorou tanto que a sua tristeza parecia não ter fim.
Ver a neta naquele estado era insuportável para o Avô.
— Vem cá, minha menina — disse, pegando-lhe na mão, — quero contar-te uma história.
— Avô, já conheço todas as tuas histórias! — respondeu Taina com uma voz triste.
— Ora bem, minha pequena, é verdade que conheces muitas, mas ainda não as conheces todas. Há uma história muito especial que o meu Avô me contou, era eu ainda rapazinho, e é essa que eu quero contar-te agora.

Cheia de curiosidade, Taina deu a mão ao Avô e dirigiram-se para a árvore das mangas, na margem do rio. A menina trepou para a árvore. Então, o Avô começou a contar:
— Taina, a vida é como esta lagarta — disse ele, mostrando um bichinho que trepava pelo ramo. — E um dia, quando já estamos velhos e fracos, envolvemo-nos num casulo para voltarmos a nascer.
E mostrou-lhe o casulo que estava suspenso num outro ramo da árvore.
— E quando renascemos, voamos tal como uma borboleta — e apontou para as borboletas que esvoaçavam pelo campo fora. — Um dia também eu partirei. Vais sentir a minha falta, certamente, mas se te lembrares desta história, já não ficarás triste porque saberás que voarei feliz!
Taina ficou entusiasmada com a história, mas quis ainda saber:
— Mas, Avô, como vou reconhecer-te no meio de tantas borboletas?
— Ah, não te preocupes, minha querida, vais reconhecer-me e saberás quem eu sou porque serei a mais bela de todas as borboletas azuis, a mais linda borboleta azul que algum dia terás visto.
Taina acenou que sim com a cabeça.

Anos mais tarde, quando o Avô morreu, não houve um só dia em que Taina não pensasse na história que ele lhe tinha contado. E o seu maior desejo era encontrar uma borboleta azul.
E depois, um belo dia, sentada no lugar preferido, debaixo da árvore das mangas, quando pensava com saudades no Avô… um raio de sol trespassou a densa folhagem por cima da sua cabeça.
Depois, como que iluminada por uma luz celeste, uma grande borboleta de um azul magnífico dançou diante dela. Voltejou à volta de Taina para, finalmente, lhe pousar no ombro.
E Taina sentiu uma incrível sensação, como se o Avô a tivesse abraçado.
Sentia-se imensamente feliz.

Sueli Menezes
Le papillon Bleu
Paris, Minedition, 2014