O dia em que choveram corações

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O dia em que choveram corações

Certo dia, começaram a chover corações e Cornélia Augusta apanhou um deles.
E depois outro e mais outro.
Como não eram pesados, a menina foi recolhendo mais alguns.
“Devemos estar perto do Dia de São Valentim,” pensou.

Cornélia Augusta decidiu fazer postais com os corações que tinha apanhado.
Observando-os de todos os ângulos, reparou que os corações eram todos diferentes. E pensou logo que postais se adequariam melhor a cada um dos seus amigos.

Pegou em sete corações semelhantes e decidiu uni-los com um fio.
“Já sei exatamente a que pessoa este se destina”, pensou.
Em seguida, pegou num coração especialmente bonito e colou-o num pedaço de papel. No centro do coração, colou uma bola de algodão, muito branca e macia. E soube logo quem iria recebê-lo.

Sobravam oito corações. No centro do maior, Cornélia Augusta desenhou círculos e cortou-os com todo o cuidado.
Como os outros corações eram demasiado pequenos, a menina colou-os num só postal. Depois, desenhou figuras de várias cores em torno deles e dobrou o desenho ao meio.
Sabia bem a quem se destinava este.
Finalmente, Cornélia Augusta pôs um selo em cada um dos seus postais e enviou-os por correio.

Nunca mais choveram corações. Pelo menos, não onde Cornélia Augusta vivia.
Mas, no ano seguinte e em todos os demais, a menina arranjou sempre maneira de continuar a fazer postais para o Dia de São Valentim.

Felicia Bond
The day it rained hearts
New York, Harper Collins, 1983
(Tradução e adaptação)