Uma doce bruxinha…

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Era uma vez uma bruxinha muito especial, porque era uma bruxinha boa, mas que não fazia a mínima ideia de como exercitar a sua bondade…. Desde pequena que tinha suportado as admoestações das outras bruxas que lhe diziam constantemente que ela tinha de ser má, como todas as demais…. E ela sofria imenso, pois não queria ser assim!

E, por isso, todos os seus feitiços eram um fracasso…e, além disso, não encontrava ninguém que quisesse ensiná-la a ser boa. Por esse motivo, andava sempre triste.

Um dia, soube que as bruxas mais velhas se preparavam para enfeitiçar uma grande montanha, transformando-a num vulcão. Queriam destruir um pequeno povoado que se encontrava na encosta.

A bruxinha boa queria evitar tamanha maldade, mas não sabia como fazê-lo. Quando se aproximou do povoado para avisar toda a gente do que ia acontecer, as pessoas vieram para a rua e perseguiram-na, atirando-lhe pedras e gritando “Fora daqui, sua bruxa!”.

E assim dali fugiu, a correr, e sentou-se a chorar junto ao caminho que levava ao povoado. Dali a pouco chegaram umas crianças que, ao vê-la chorar, trataram logo de a consolar. Ela contou-lhes então que não queria ser uma bruxa má, mas que não sabia como pôr em prática a sua bondade. E, por isso, todas as outras bruxas a tratavam muito mal e ninguém dela gostava no povoado pois pensavam que era má.

Foi então que as crianças lhe explicaram que ser bom era muito fácil.

Bastava ajudar os outros e fazer coisas boas por eles.

— E que posso eu fazer por vocês? — disse a bruxinha.

— Podias dar-nos uns caramelos! — responderam as crianças, todas contentes.

A bruxinha ficou cheia de pena por não trazer consigo nenhuma guloseima e por não saber nenhum feitiço. Mas as crianças não se importaram com isso e foram-se embora, alegres e brincalhonas.

Mais animada, a bruxinha resolveu voltar para casa.

Mas, a meio do caminho, cruzou-se com as bruxas mais velhas que estavam a lançar o seu feitiço à montanha, entretanto transformada num imenso vulcão que começava a cuspir fogo.

Ela queria a todo o custo evitar a tragédia, mas não sabia como podia fazê-lo.

Foi então que lhe veio à cabeça um chorrilho de palavras mágicas.

E, quando se deu conta do que havia feito, viu espantada que o vulcão cuspia caramelos e guloseimas que choviam em abundância sobre o pequeno povoado!

E foi assim que a bruxinha pôde por fim realizar o sonho de ser boa, ao querer verdadeiramente ajudar os outros.

As crianças viram logo que tinha sido ela que havia sido responsável por salvá-los de forma tão doce, e contaram tudo aos habitantes do povoado.

A partir daquele dia, ninguém mais a considerou uma bruxa má.

Ficou amiga de todos, ajudando-os sempre.

E como recordação do seu primeiro (e bom) feitiço, passaram a chamar-lhe a “doce bruxinha”.

Pedro Pablo Sacristán