O avô faz batota

O avô faz batota

— Anda, vamos jogar qualquer coisa — pede Oliver.

— Por mim… a que queres jogar? — pergunta o avô.

Oliver pensa.

— Ao jogo do assalto.

— Não preferes mostrar-me o teu jogo de computador? — pergunta o avô.

— Tu não percebes nada daquilo, avô!

“E até é bem simples”, pensa Oliver. “Só tem de se carregar nos botões certos.” Simplesmente não lhe apetece explicar tudo uma vez e outra ao velho homem.

— Ao gamão eu sou invencível — gaba-se ele.

O avô está a “armar-se”.

O tabuleiro com as pedras brancas e pretas ainda é de quando o avô era criança!

— É dos jogos mais antigos do mundo — explica o avô. — Já os egípcios o conheciam.

Naquele momento está a fazer um duplo assalto e come-lhe duas pedras.

Oliver faz uma careta mas consegue controlar-se.

— Perdeste — diz-lhe o avô. — Agora vamos à desforra!

De repente, começa a fazer asneira atrás de asneira. Oliver fica radiante. Mas quando, no terceiro jogo, Oliver volta a comer ao avô uma pedra e outra logo de seguida, começa a ficar desconfiado.

— Estás a fazer batota — diz.

— Isso é o que tu pensas — defende-se o avô. — Eu a fazer batota para perder? Só se faz batota para ganhar.

Oliver trepa para o colo do avô e dá-lhe um abraço.

— Queres parar de jogar? — pergunta o avô.

— Não — responde Oliver. — Da próxima vez deixo-te ganhar.

Max Bolliger

30 Geschichten zum Verschenken

Lahr, Verlag Ernst Kaufmann, 1991

Tradução e adaptação

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